GT Overlander
Preparação & Planejamento

Alugar carro no Chile, na Argentina e no Uruguai: o que precisa e fronteiras

Documentos, caução, seguro e PID para alugar carro no Chile, na Argentina e no Uruguai, e o que fazer para cruzar a fronteira com carro alugado.

Rangel Machado·
Vista de dentro de um carro na estrada, com o Monte Fitz Roy e os picos nevados da Patagônia argentina pelo para-brisa

Muita viagem pela América do Sul começa no aeroporto: voar até Santiago, Mendoza, Montevidéu ou Calama e pegar a estrada de lá. O carro alugado resolve a distância, mas traz dúvidas que o carro próprio não traz: que documento a locadora pede, quanto fica preso no cartão e, principalmente, se dá para atravessar a fronteira com ele.

Este guia junta o que muda de país para país e o que vale para todos, pensando em quem quer rodar com liberdade, e não só ir do hotel ao centro.

Resumão: Para alugar carro na América do Sul você precisa de CNH válida, passaporte e cartão de crédito internacional no nome do motorista, com limite para uma caução que costuma ficar entre US$ 500 e US$ 1.500. Argentina, Uruguai e Paraguai aceitam a CNH brasileira; no Chile, a orientação oficial é levar a Permissão Internacional para Dirigir. Cruzar a fronteira com carro alugado só é possível com autorização escrita da locadora, pedida na reserva, e costuma ter taxa.

O que vale em qualquer país

  • Documentos: CNH dentro da validade, passaporte (muitas locadoras pedem mesmo quando você entrou no país com RG) e cartão de crédito internacional no nome de quem vai dirigir. Débito e cartão de outra pessoa normalmente não são aceitos.
  • Idade: o mais comum é exigir 21 anos e 2 anos de habilitação. Abaixo de 25, várias cobram taxa de motorista jovem.
  • Caução: o valor fica bloqueado no cartão até a devolução. As fontes que consultamos apontam entre US$ 500 e US$ 1.500, conforme o carro. Confira o limite antes de viajar.
  • Seguro: a proteção básica com franquia já vem na reserva. No balcão, a oferta de coberturas extras (vidro, pneu, franquia zero) pode dobrar a diária. Para rodar em ripio, como no Atacama ou na Patagônia, a cobertura de vidro e pneu faz mais sentido do que na cidade.
  • Retirada: fotografe o carro por fora, o painel com a quilometragem e o marcador de combustível. Devolver sem o tanque cheio costuma sair bem mais caro do que abastecer no posto.

Alugar carro no Chile

É o país onde mais brasileiros alugam, por causa do Atacama, de Santiago e da Patagônia chilena. Sobre a habilitação, as fontes divergem: há blogs dizendo que a CNH basta, mas o Detran orienta que ela não vale no Chile sozinha. O caminho seguro é tirar a Permissão Internacional para Dirigir (PID) no Detran antes de ir. É barata perto do problema que evita numa fiscalização.

Nas rodovias urbanas de Santiago o pedágio é eletrônico. Os carros alugados costumam ter TAG, mas a cobrança varia entre diária fixa e por uso, então pergunte na retirada. Nas rodovias entre cidades, leve pesos chilenos em espécie para o pedágio. Para o deserto, a retirada mais prática é em Calama; para o sul, em Puerto Montt ou Puerto Natales.

Alugar carro na Argentina

A CNH brasileira vale na Argentina, sem PID. As bases mais procuradas são Bariloche, Salta para o Norte argentino e El Calafate para os glaciares. Na Patagônia as distâncias entre postos são longas: saia sempre com o tanque cheio e não conte com sinal de celular entre as cidades.

Lembre que o seguro de saúde passou a ser exigido de estrangeiros na Argentina. Ele é separado do seguro do carro e não vem na locação.

Alugar carro no Uruguai

O Uruguai é o mais simples: CNH brasileira aceita, estradas boas e distâncias curtas. Retirando em Montevidéu ou Punta del Este, dá para fazer a costa inteira em poucos dias. Pergunte na retirada como o carro paga os pedágios, porque o sistema é eletrônico em boa parte das praças.

Peru, Bolívia e Colômbia

Nos três países dá para alugar nas capitais e nas cidades turísticas, mas o cenário é diferente:

  • Peru: alugar em Lima ou Arequipa funciona bem para a costa e o sul. Sair do país com carro alugado é raro de ser autorizado, então trate o Peru como viagem de ida e volta.
  • Bolívia: a oferta é pequena e concentrada em 4x4, porque boa parte do que vale a pena ver fica fora do asfalto. Também é difícil conseguir autorização para levar o carro a outro país.
  • Colômbia: a frota é grande e o país tem acordo com o Equador que prevê a entrada de carro alugado, com o contrato de locação e o seguro obrigatório local. Mesmo assim, a palavra final é da locadora.

Dá para cruzar a fronteira com carro alugado?

Dá, mas nunca por conta própria. Atravessar sem autorização no contrato pode anular o seguro e deixar você responsável por qualquer dano ou roubo. O caminho é este:

  1. Escolha a locadora já sabendo da travessia. Algumas simplesmente não autorizam. Na hora de comparar, filtre pelas que permitem e leia as condições antes de pagar.
  2. Peça a autorização na reserva, informando países, datas e roteiro. Há locadoras que pedem até 30 dias de antecedência.
  3. Conte com uma taxa. A autorização costuma ser cobrada à parte, e as fontes falam em valores que podem passar de US$ 200 na travessia Chile e Argentina.
  4. Leve os papéis do carro e o seguro. A autorização da locadora não substitui a Carta Verde, o seguro obrigatório entre os países do Mercosul. Pergunte se a locadora já entrega o carro com ela.

Devolver o carro em outro país é possível em algumas locadoras, mas a taxa de devolução em outro país costuma ser alta. Em muitos casos compensa mais alugar um carro de cada lado da fronteira. Para a parte burocrática da aduana, que é a mesma do carro próprio, vale ler o checklist de documentos para cruzar fronteira de carro.

Monte o roteiro antes de retirar o carro

Com o carro alugado o relógio corre por diária, então chegar com o trajeto definido economiza dinheiro. Descreva a viagem no GT Overlander em linguagem natural, por exemplo "7 dias saindo de Calama, com Atacama e volta pelo mesmo aeroporto", e a IA monta o trajeto com as estradas e as cidades do caminho. Assim você sabe quantos dias realmente precisa antes de fechar a reserva.

Para comparar locadoras e preços nesses destinos, você pode usar a busca de aluguel de carros da DiscoverCars. A DiscoverCars é parceira do GT Overlander e reúne as melhores opções e preços de locadoras.

Perguntas frequentes

Posso alugar carro na Argentina com CNH brasileira?

Pode. Argentina, Uruguai e Paraguai aceitam a CNH brasileira válida, sem PID. A locadora também vai pedir passaporte ou RG e um cartão de crédito no nome do motorista.

Alugar carro no Chile precisa de PID?

As fontes divergem, e algumas locadoras aceitam só a CNH. A orientação do Detran é que a CNH sozinha não vale no Chile, então levar a PID é o jeito de não ter problema numa fiscalização.

Carro alugado pode cruzar a fronteira?

Pode, se a locadora autorizar por escrito. Peça na reserva, pague a taxa de travessia e leve a autorização junto com o seguro exigido no outro país. Sem isso, o seguro do carro pode deixar de valer.

Dá para alugar no Chile e devolver na Argentina?

Algumas locadoras permitem, mas a taxa de devolução em outro país costuma ser alta. Compare com a opção de devolver no Chile e alugar outro carro do lado argentino.

Para fechar

O carro alugado abre a América do Sul para quem não tem tempo de descer de carro desde o Brasil, desde que você resolva antes o que o carro próprio resolveria sozinho: documento, caução, seguro e autorização para a fronteira. Com isso acertado na reserva, o resto é estrada.

Compartilhar

Tags

aluguel de carrochileargentinauruguaifronteira
Rangel Machado

Escrito por

Rangel Machado

Empresário e viajante. Fundou o GT Overlander pra ser o app que ele mesmo queria ter na própria estrada, e desde então lidera produto e visão ouvindo de perto quem viaja.

Conheça mais sobre o Rangel →

Newsletter

Novos artigos no seu e-mail

Sem spam. Só quando publicar algo novo.

Pronto pra rodar essa rota?

Baixa o GT e começa a planejar agora.