Como atravessar os Andes de carro: 7 passos Argentina-Chile
Sete passos andinos entre Argentina e Chile que dá pra atravessar de carro, com altitude, época e o melhor caminho pra cada destino

Os Andes têm mais de 7 mil quilômetros de extensão, do norte do Peru ao extremo sul da Patagônia. Entre Argentina e Chile, existem mais de 40 passos de fronteira oficiais — mas a maioria não está aberta o ano todo, e nem todos têm estrada que passe um veículo comum. Pra quem viaja de carro, sete passos cobrem 99% das rotas que fazem sentido. A gente reuniu eles aqui, de norte a sul, com altitude, época em que funcionam, tipo de asfalto e qual destino faz sentido pra cada um.
Resumão: se você vai pro Atacama, é Jama. Pra Santiago e vinícolas, Cristo Redentor. Pros lagos chilenos, Samoré. Pra Ushuaia, Integración Austral. Os outros três são alternativas pra quando o principal fecha ou pra quem quer caminho menos movimentado.
O que considerar antes de escolher um passo Quatro coisas pesam na decisão:
Altitude. Passos no norte (Jama, Sico) ultrapassam 4 mil metros. Pra quem nunca enfrentou altitude, isso é desconfortável e pode tirar de circulação um dia inteiro. Hidratação, descanso na noite anterior e parada gradual ajudam. Época. A maior parte dos passos da cordilheira central e sul fecham por neve entre junho e setembro. Verão (dezembro a março) é a janela mais segura. Antes de viajar, confira o status em sites oficiais da Gendarmería Argentina e da Aduana de Chile. Asfalto. A maioria dos passos importantes está asfaltada em ambos os lados, mas alguns têm trechos de ripio (terra batida) que viram lama no inverno. Carro baixo com pneu careca sofre. Fluxo de aduana. Passos famosos têm fila histórica. Cristo Redentor em janeiro pode levar 4 a 8 horas pra cruzar. Passos pequenos, 30 minutos a 1 hora. Sair de madrugada (5h-6h) corta muito tempo de espera nos populares.
Pronto. Agora os 7 passos.
- Paso Jama (~4.200 m) — norte, ligação com o Atacama Conecta: San Salvador de Jujuy (Argentina) ↔ San Pedro de Atacama (Chile). Distância total: uns 520 km de Jujuy a San Pedro. Asfalto: quase tudo. Quando usar: se você quer ir pro deserto do Atacama, Salar de Uyuni (via Bolívia, depois Chile) ou descer pelo norte do Chile até La Serena. O grande tema do Jama é a altitude. Você passa de 1.200 m em Jujuy pra 4.200 m no topo em um dia. Mal de altitude é real — dor de cabeça, falta de ar, enjoo. Faça parada em Susques (3.700 m) pra dormir antes da subida final e beba bastante água. O cenário é absurdo: salinas, lagunas com flamingos, vicunhas. A aduana fica no topo, no lado argentino. Cobra zona franca de saída. Aberta ano todo, mas pode fechar por tempestades de areia ou neve fora de estação.
- Paso Cristo Redentor (~3.200 m) — central, o mais movimentado Conecta: Mendoza (Argentina) ↔ Los Andes / Santiago (Chile). Distância: uns 380 km de Mendoza a Santiago. Asfalto: todo. Quando usar: se o destino é Santiago, Valparaíso, vinícolas chilenas ou se vai voltar pro Brasil cruzando pela Cordillera de los Andes. Esse é o passo mais usado entre os dois países. Tem túnel de uns 3 km no topo e a vista do Aconcágua (6.961 m, a montanha mais alta das Américas) no caminho. Em janeiro e fevereiro, a fila pra aduana chega facilmente a 6 horas. Saída de madrugada e dia útil reduz drasticamente. Funciona o ano todo, mas fecha por neve algumas vezes no inverno. Quando fecha, todo mundo joga pro Pehuenche (o próximo da lista).
- Paso Pehuenche (~2.553 m) — central, alternativa ao Cristo Redentor Conecta: Malargüe (Argentina) ↔ Talca (Chile). Distância: uns 200 km do passo a Talca. Asfalto: todo, dos dois lados. Quando usar: quando Cristo Redentor fecha por neve ou quando você quer rota menos movimentada com paisagem igualmente boa. Esse aqui é o "plano B" oficial dos viajantes da Cordilheira central. Aduana costuma ser rápida (30 minutos a 1 hora). O caminho passa pela Laguna del Maule e tem várias áreas vulcânicas. No inverno também fecha, mas em janelas diferentes do Cristo Redentor — vale checar antes.
- Paso Pino Hachado (~1.864 m) — sul, ano todo Conecta: Las Lajas (Argentina) ↔ Lonquimay / Temuco (Chile). Distância: uns 200 km até Temuco. Asfalto: todo. Quando usar: se você está descendo pela Argentina e quer cruzar pra região da Araucanía chilena (Pucón, Villarrica) sem subir muito. Altitude baixa pra um passo dos Andes, o que significa pouquíssimo fechamento por neve — uma das vantagens reais dele. Aduana razoavelmente rápida. Não tem grandes vistas espetaculares, mas funciona bem o ano todo e por isso é favorito de quem viaja no outono ou inverno.
- Paso Mamuil Malal (~1.207 m) — sul, o mais cênico Conecta: Junín de los Andes (Argentina) ↔ Pucón (Chile). Distância: uns 130 km de Junín a Pucón. Asfalto: quase todo, com trechos curtos de ripio nos últimos quilômetros (depende do ano). Quando usar: quando o foco é paisagem e você está fazendo a Rota dos 7 Lagos argentina ou os lagos do sul chileno. Esse é talvez o mais bonito da lista pro tempo de viagem. Cruza ao lado do Vulcão Lanín (3.776 m, perfeitamente cônico, coberto de neve). A aduana é pequena, costuma ser rápida. Fecha algumas semanas no inverno por acúmulo de neve.
- Paso Cardenal Antonio Samoré (~1.321 m) — sul, o clássico dos lagos Conecta: San Carlos de Bariloche (Argentina) ↔ Osorno / Puerto Montt (Chile). Distância: uns 230 km de Bariloche a Puerto Montt. Asfalto: todo. Quando usar: se o destino é a Carretera Austral chilena, Puerto Varas, Chiloé, ou se está fazendo o roteiro Bariloche-Puerto Montt-Carretera Austral. Esse passo é o ponto de entrada principal pra Carretera Austral chilena. Asfalto bom dos dois lados, paisagem de bosque andino-patagônico, Lago Puyehue. Aduana grande e organizada (filas raras fora da alta temporada). Funciona ano todo.
- Paso Integración Austral / San Sebastián — extremo sul, pra Ushuaia e Torres del Paine Conecta: Río Gallegos (Argentina) ↔ Punta Arenas (Chile) e, depois, San Sebastián pra entrar na Tierra del Fuego. Altitude: próximo do nível do mar. Asfalto: todo. Quando usar: obrigatório se você vai pra Ushuaia ou Torres del Paine. Tecnicamente não é um "passo de montanha" — é uma travessia de planície ventosa no extremo sul. Mas conta como cruzamento Argentina-Chile e é o trajeto sem alternativa pra quem desce até o fim. Aduana costuma ser rápida, vento é o protagonista (rajadas de 100 km/h são normais). Funciona ano todo. Lembrete: pra chegar a Ushuaia, você cruza duas vezes — pra entrar no Chile em Río Gallegos, atravessa o Estreito de Magalhães de balsa e cruza de volta pra Argentina em San Sebastián. Qual passo usar pra qual destino — resumo prático
Atacama, norte do Chile: Jama. Santiago, Valparaíso, vinícolas: Cristo Redentor (ou Pehuenche se o principal fechou). Pucón, Villarrica, lagos do sul chileno: Mamuil Malal (cênico) ou Pino Hachado (mais rápido). Carretera Austral, Puerto Montt, Chiloé: Samoré. Ushuaia, Torres del Paine: Integración Austral / San Sebastián.
Documentação básica Vale pra qualquer passo: passaporte, CNH, CRLV original, autorização de saída do país se o carro não está no seu nome, Seguro Mercosul (Carta Verde) e os itens de segurança que Argentina e Chile cobram (triângulo, colete refletivo, extintor, cones). No Chile, fiscalização de alimentos é rigorosa — frutas, carnes, laticínios e mel são proibidos de entrar. Multa por declaração falsa é alta. Coma ou descarte antes da aduana.
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