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O que fazer no Paraguai além das compras: roteiro de 3 dias de carro

O Paraguai tem cachoeira, ruínas jesuíticas da UNESCO e uma cidade de artesanato premiada. Veja um roteiro de 3 dias de carro saindo de Foz do Iguaçu.

Rangel Machado·
Ruínas da missão jesuítica de Jesús de Tavarangué, no Paraguai, com paredes de pedra avermelhada, arcos e nichos, cercadas por gramado, sob céu nublado.

Foto: Lars Curfs (Grashoofd) / Wikimedia Commons (CC BY-SA)

Pergunte a um brasileiro o que tem no Paraguai e a resposta vem pronta: eletrônico, perfume e a Ponte da Amizade. A própria busca no Google entrega isso de bandeja, com gente digitando "o Paraguai tem pontos turísticos" como se duvidasse que existisse resposta.

Existe, e começa a menos de 10 km da fronteira. O que faltam não são atrações, é alguém contar que elas estão lá.

Resumão: o Paraguai tem uma cachoeira de 40 metros a 25 minutos de Ciudad del Este, duas ruínas jesuíticas reconhecidas pela UNESCO desde 1993 e uma cidade de artesanato premiada pela mesma UNESCO em 2019. Um roteiro honesto de três dias cobre a região de Ciudad del Este e Encarnación. Assunção pede dois dias a mais, porque são quase 400 km de estrada.

Dia 1: Ciudad del Este e os Saltos del Monday

A travessia pela Ponte da Amizade e os documentos que ela exige estão no guia de como entrar no Paraguai de carro, e o seguro Carta Verde precisa estar em dia antes de cruzar. Resolvida essa parte, a primeira parada não é shopping. No distrito de Presidente Franco, a uns 10 km do centro de Ciudad del Este e cerca de 25 minutos da ponte, o Rio Monday despenca num cânion pouco antes de encontrar o Paraná.

São três quedas principais de aproximadamente 40 metros, numa frente de uns 120 metros. Não é Iguaçu, e quem for esperando Iguaçu vai se decepcionar. É outra coisa: um salto que você vê de perto, de mirantes suspensos, com elevador panorâmico descendo até a margem e tirolesa cruzando o cânion.

Sobre ingresso e horário, as fontes públicas divergem bastante, variando conforme o ano e conforme você seja paraguaio ou estrangeiro. A ordem de grandeza é de poucas dezenas de reais por pessoa, e o parque costuma abrir cedo e fechar no fim da tarde, mais tarde no verão. Como não achamos uma tabela oficial atualizada, o certo é confirmar no dia, e levar guarani em dinheiro.

Se sobrar tarde, o Marco das Três Fronteiras do lado paraguaio fecha bem o primeiro dia. Quem está chegando de Foz pode emendar com o que ver do lado brasileiro antes de cruzar.

Dia 2: a estrada até Encarnación e as ruínas jesuíticas

Este é o dia que justifica a viagem inteira, e também o mais longo. De Ciudad del Este até Encarnación são cerca de 280 km, aproximadamente 4 horas de direção, saindo pela PY02 e seguindo pela Ruta 6 quase todo o caminho. Estrada asfaltada, sem exigência de veículo especial.

No km 31 da Ruta 6 fica o acesso às ruínas da Missão Jesuítica da Santíssima Trindade do Paraná. É a maior das missões da região, com o maior templo, e o altar talhado em pedra única. A 12 km dali ficam as ruínas de Jesús de Tavarangué, cuja igreja foi projetada para ser uma das maiores da sua época, inspirada no santuário de Loyola, na Espanha.

As duas entraram juntas na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO em 1993. São ruínas de verdade, de pedra avermelhada, no meio do campo, quase sempre vazias.

Quatro detalhes práticos que mudam o dia e quase ninguém publica:

  • O ingresso para estrangeiro é de 40.000 guaranis, e 25.000 para paraguaios. Crianças até 12 anos não pagam.
  • Não aceitam moeda estrangeira. Real e dólar não resolvem na bilheteria. Pague em guarani, dinheiro ou cartão.
  • Pedem documento de identidade na compra do ingresso.
  • O mesmo bilhete vale 72 horas e dá entrada nas três missões de Itapúa: Trinidad, Jesús e San Cosme y San Damián. Ou seja, um ingresso cobre os três sítios ao longo de três dias.

A visita diurna leva cerca de 45 minutos por sítio, de segunda a domingo, abrindo às 7h e fechando no fim da tarde, mais tarde no verão. Existe ainda um espetáculo noturno de luzes e sons em Trinidad, de quarta a domingo, às 20h no inverno e 21h no verão, com 30 a 40 minutos de duração e chegada recomendada 20 minutos antes. Vale organizar o dia em torno dele, porque ruína iluminada à noite é outra experiência.

Dia 3: Encarnación sem pressa

Encarnación costuma surpreender quem chegou só pelas ruínas. A cidade tem orla urbana no Rio Paraná, com praia de areia dentro da cidade, e é conhecida no país pelo carnaval, que acontece em janeiro e fevereiro e enche a cidade.

É também a base lógica para voltar às missões com o ingresso de 72 horas ainda válido, caso você tenha feito só Trinidad no dia anterior. San Cosme y San Damián, a terceira do bilhete, abrigava o observatório astronômico da missão e é a menos visitada das três.

Para montar esse encadeamento sem planilha, o GT Overlander monta o trajeto a partir da sua descrição em linguagem natural, com as paradas e o contexto de cada trecho, o que ajuda a ver onde cai cada noite antes de pegar a estrada.

Se você tiver cinco dias: Assunção e Areguá

Aqui vai a parte honesta. De Encarnación até Assunção são cerca de 378 km pela Ruta 1, perto de 6 horas de direção. Encaixar isso no terceiro dia significa passar o dia inteiro no carro e chegar à capital à noite, cansado. Em três dias, o roteiro acima já é o suficiente.

Com cinco dias, a capital entra bem, e o que vale mais ali não é o centro histórico e sim o que fica em volta. Areguá, a uns 30 km de Assunção, é Cidade Criativa da UNESCO em Artesanato e Arte Popular desde 2019, com mais de 450 oficinas de cerâmica e uma feira do morango que lota a cidade na temporada. É Patrimônio Cultural nacional desde 1997.

Areguá fica às margens do Lago Ypacaraí, e aqui vai o aviso que folheto de turismo não dá: o Ypacaraí é o lago mais poluído do Paraguai, com floração de cianobactérias que já deixou a água verde. Vá pela cidade, pela cerâmica e pela vista. Não vá para nadar.

San Bernardino, na outra margem, a uns 48 km de Assunção, é o balneário tradicional da elite paraguaia e ferve no verão, com a mesma ressalva sobre entrar na água.

Perguntas frequentes

O que fazer no Paraguai além de compras?

Os Saltos del Monday perto de Ciudad del Este, as ruínas jesuíticas de Trinidad e Jesús reconhecidas pela UNESCO, a orla e o carnaval de Encarnación, e a cidade de cerâmica de Areguá, perto de Assunção. Todas ficam na faixa leste e sul do país, a mesma que o brasileiro já atravessa.

O Paraguai tem pontos turísticos?

Tem, e dois deles são reconhecidos por organismo internacional: as missões jesuíticas de Itapúa, Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1993, e Areguá, Cidade Criativa da UNESCO desde 2019. O que falta ao país não é atração, é divulgação do lado de cá da fronteira.

Dá para conhecer o Paraguai em 3 dias?

Dá, se você ficar na faixa entre Ciudad del Este e Encarnación, que são cerca de 280 km entre si. Incluir Assunção no mesmo prazo significa somar quase 400 km de estrada, então a capital pede quatro ou cinco dias.

Vale a pena conhecer Encarnación?

Vale pelas ruínas, que ficam a poucos quilômetros dali e são o ponto alto da viagem. A cidade em si tem orla no Rio Paraná e um carnaval conhecido no país, e funciona bem como base de dois dias.

O Paraguai é um dos poucos destinos onde a fama atrapalha o próprio país. Quem cruza a ponte achando que vai a um shopping acaba voltando no mesmo dia, sem saber que a 280 km dali existe um conjunto de ruínas de pedra que a UNESCO reconheceu há mais de trinta anos. A travessia é a mesma. Só muda quanto tempo você decide ficar.

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Rangel Machado

Escrito por

Rangel Machado

Empresário e viajante. Fundou o GT Overlander pra ser o app que ele mesmo queria ter na própria estrada, e desde então lidera produto e visão ouvindo de perto quem viaja.

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